Estavam sentados lado a lado no autocarro, nenhum se atrevia a falar, e se não fosse pelos olhares ocasionalmente topados, ninguém diria que se conheciam, quando na verdade o faziam a muito, apenas nunca tinham realmente reparado um no outro.
Até que os dedos se tocaram inocentemente ao mexer na carteira, suavemente os dois jovens cheios de sonhos e expectativas entrelaçaram os dedos e assim ficaram até ao fim do percurso.
Finalmente chegou a aguardada paragem, para o velho autocarro com o seu cansado zumbido e saem os dois cada um para o seu lado. Ficou a rapariga a olhar para o horizonte e enquanto pensava naquela dita cuja viagem de autocarro, senti-o, sim a ele, aquele que após tanto tempo lhe tinha roubado o coração, ele que estava a agarrar-lhe o braço e que ao vira-la selou o beijo que as duas bocas ansiavam. Mas, tal como começou acabou, e partiram de novo em direções opostas, mas desta vez com a certeza que tinham encontrado aquela peripécia estranha que a sociedade identifica como algo que somente sucede nos livros de romances clichê's.
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